O que o Banco Central viu que não nos contou?
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(Imagem Reprodução)
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Para começar, há muita incerteza em relação aos
preços do petróleo, que pressionam os preços internacionais da gasolina e seus
derivados. Isso afeta diretamente a nossa inflação. Os técnicos do Banco
Central não falam para não alarmar, mas já devem ter tido acesso a alguns
indicadores antecedentes e visto que a inflação certamente não ficará mais tão
baixa como tem sido.
Eles também adotam medidas assim, de frear a queda
do juro, diante de cenários pouco animadores. Nesta semana tivemos acirramento
da crise argentina, dólar crescente, Bolsa de Valores caindo muito. Tudo isso é
sinal de quem tem investido pesado no Brasil pode estar revendo suas posições.
O certo é que 10 em cada 10 economistas esperava que o juro básico caísse para
6,25%. A retração de 0,13% na economia no primeiro trimestre, como apurado pelo
índice de atividade econômica (IBC-Br), ajudou na adoção da medida. Afinal de
contas, a essa altura do campeonato era para a economia seguir apresentando
indicadores positivos e vigorosos.
Numa palavra, tudo isso significa redução dos
níveis de confiança. O consumidor não está confiante em gastar, os investidores
em investir, ninguém está fazendo movimentos bruscos nem arriscados. Estamos em
meio ao risco de uma crise internacional, com preços do petróleo oscilando, com
ameaça de aumento do juro nos Estados Unidos para contar a inflação americana.
Há ainda os riscos de conflitos sempre iminentes. Para piorar, estamos em ano
eleitoral e, com um leque de candidatos que, vamos ser sinceros, não inspiram
nada nem nas pessoas nem nas empresas, fica difícil imaginar um desempenho mais
favorável para a economia.
Outro dado desta semana que foi muito ruim e que
demonstra essa falta de confiança e segurança no governo e na economia foi o
chamado índice de desalentados no campo do emprego. As pessoas que deixam de
procurar porque já perderam a esperança na busca por um posto de trabalho. De
um total estimado de 14 milhões de desempregados, 4,63 milhões se dizem
desalentados, ou seja, mais de um terço. Isso, meus amigos, é péssimo, mostra
que as pessoas estão desanimadas, desacreditadas, sem confiança ou o nome que
se queira dar.
Vamos dizer que do ponto de vista econômico as
coisas caminham de lado. Quando todos nós imaginávamos e desejávamos ver outro
cenário, eis que fatores diversos, associados à instabilidade política, ajudam
a empurrar tudo para um lado que qualquer pessoa razoavelmente otimista jamais
desejaria.
Eleno Mendonça
Jornalista, consultor de imagem e diretor da Eastside 23 Comunicação Corporativa


