Os caminhoneiros e o trânsito
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| (Imagem reprodução) |
A greve
dos caminhoneiros pautou toda a imprensa do país e não poderia ser diferente
pela importância dos caminhões e das rodovias. O transporte rodoviário é o
principal modal de movimentação brasileiro, tanto para locomover produtos,
quanto pessoas.
A paralisação
provocou debates acalorados, falou-se do prejuízo na indústria, no agronegócio,
no comércio, no turismo, enfim em todos os setores da economia nacional.
Tratou-se do desabastecimento nas cidades, do atendimento nos hospitais,
colapso no transporte urbano e nos serviços públicos, fechamento de repartições
públicas, locaute, questões políticas e, até, de intervenção militar.
O
governo parou para ouvir os caminhoneiros, editou edição extra do diário
oficial, o congresso nacional votou, a toque de caixa, matéria de interesse da
categoria. Num país com orçamento deficitário, fala-se em onerá-lo em mais
R$9,5 bilhões, tudo isto para atender as exigências da categoria.
Com o
movimento, tratou-se de diversos temas, só não foi ventilada a questão do
trânsito. Nem na pauta dos grevistas foi tratada. Não se tratou da segurança
viária, das longas jornadas de trabalho, do exame toxicológico, entre tantas
outras questões.
Observe
que os caminhões e os caminhoneiros estão entre os principais atores do
trânsito. Um trânsito que mata, aproximadamente, 40.000 brasileiros por ano e
sequela mais de 250.000, dando um prejuízo anual aos cofres públicos de mais de
R$ 56 bilhões.
A greve
deu-se no mês de maio, paradoxalmente, mês do Movimento Maio Amarelo, onde os
governos, a iniciativa privada e a sociedade civil organizada são conclamados a
discutir as questões da segurança viária.
Esta
constatação mostra que os governos, a iniciativa privada e a sociedade civil
organizada, com raríssimas exceções, não dão a devida importância aos danos
sociais, psicológicos e financeiros que o trânsito causa. Não atentam para a
tragédia que é o trânsito hoje.
É
preciso priorizar a questão do trânsito, sair do discurso e ir para a prática,
estimular o debate, investir em educação, na fiscalização da lei e na
engenharia. Conscientizar a todos de que a segurança viária é uma decisão
individual e que, somente com o engajamento da sociedade vamos diminuir esta
mazela.
Maurício Bacelar
Engenheiro civil e foi diretor-geral do Detran (2015). Ele
também foi secretário de Obras da Prefeitura de Dias 'Ávila (1986), diretor do
Copec (1987) e secretário de Infraestrutura da Prefeitura de Camaçari (2002).


